Semana passada, uma publicação no Instagram da Lilian Pacce levantou, novamente, uma discussão que vem ganhando espaço entre os holofotes, especialmente no círculo de pessoas ligadas ao mundo fashionista.

Não encontrei a tal pesquisa que ela cita, mesmo rodando internet afora em busca de alguma referência. Mas o fato é que sabemos bem: há todo um tabu em torno dessa questão – a repetição de roupas.

consumo consciente Lilian Pacce

Provavelmente, eu não vou usar esse vestido de novo, porque ele já foi postado no meu Instagram

A imagem foi originalmente postada no @project_stopshop, um projeto criado por Elizabeth Illing com o objetivo de estudar questões ligadas ao consumo de fast fashion e à valorização das roupas.

Outras iniciativas parecidas estão surgindo ao redor do mundo. Aqui no Brasil, um exemplo é o Jardim Secreto, feira (agora, prestes a se tornar uma loja física com mini centro cultural e café) que visa valorizar os pequenos e locais produtores, o que inclui os ligados à vestimenta.

Enfim, o fato é que o surgimento dos blogs de moda e influenciadoras do Instagram trouxe, sim, uma democratização da moda. Marcas entenderam que é necessário conversar com pessoas reais, contar histórias reais. Que as pessoas do outro lado da tela são todas potenciais consumidoras – desde que sejam atingidas (e atendidas) da maneira certa.

Acontece que, ao mesmo tempo, essas meninas e mulheres (muito!) dificilmente repetem roupas. E, como um efeito-resposta, suas seguidoras aderem à máxima de que a repetição não é cool.

É certo que há perfis que pregam essa conscientização do consumo. E isso possibilitou que projetos como os citados acima ganhassem vida.
A roupa que você compra vai muito além do dinheiro que você gasta. Tem toda uma cadeia que sustenta esse produto: matéria prima, mão de obra, logística. Muita gente, dinheiro, recursos envolvidos.

A #consumoconsciente já soma mais de 161 mil publicações; #consumointeligente está perto das 20 mil. Isso é reflexo de um movimento que visa ampliar a informação de modo a causar compreensão e, consequentemente, empatia pela causa.

fast fashion e consumo consciente Lilian Pacce

Assim que eu comprar algo, começarei a pensar na minha próxima aquisição imediatamente

Mas também há aquelas que usam sua voz para outros fins. Igor Fidalgo, gerente de contas da agência 220, disse em entrevista à Exame que “antes [quando esse novo ofício surgiu], era o que a menina gostava. Hoje, virou propaganda camuflada de diário”. E é exatamente aí que mora o perigo.

O #lookdodia ultrapassou 6 milhões e meio de adeptos. Dificilmente, ao entrar na hashtag, a gente vê a mesma pessoa usando roupas repetidas ou combinações parecidas.

Isso, sim, é preocupante. Ao meu ver, não só pela questão do consumo em si – que, claro, é problemático. Minha atenção vai também para o lado dos efeitos psicológicos que isso causa.

Como diz minha terapeuta, todo excesso esconde uma falta. A compra desenfreada não é sinal de riqueza, nem de estilo. É um alerta de ajuda, muitas vezes (ouso dizer que na maioria delas) inconsciente.

O que parece um discurso de ambientalistas, ativistas e extremistas é muito mais do que isso. Já que estamos falando de roupas, que possamos tirar todo e qualquer tecido de frente da nossa visão para enxergar o problema tal como ele é. Grave.

* As fotos que ilustram esse post foram retiradas do perfil @project_stopshop, no Instagram.