Estilo e sustentabilidade: entrevista com Raissa Fernandes

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Para conversar sobre sustentabilidade e estilo eu não tive dúvidas de que a Raissa era a pessoa ideal! Ela é consultora de imagem, tem formação em biologia, design de moda e eu me identifico demais com ela (veja no fim da entrevista o currículo dela que você vai entender!).

Nessa entrevista ela indicou marcas, livros e documentários para quem quer saber mais sobre sustentabilidade na consultoria de estilo, tenho certeza que você vai gostar da leitura!

Raissa Fernandes sustentabilidade e estilo
Eu imagino que sua formação como bióloga tenha contribuído para você ter a sustentabilidade como um ponto importante em seu trabalho. Queria que você contasse um pouco como você se diferencia das demais profissionais que não possuem essa preocupação.

Ao iniciar na carreira de consultoria de imagem em 2017 eu me vi com duas formações: biologia bacharelado e design de moda. Depois de um tempo prestando vários serviços, como a maioria dos consultores em seu início, entendi que identificar meu nicho tornaria tudo mais interessante. As áreas, em um primeiro momento, são percebidas como totalmente diferentes. Porém, após muitas análises, consegui unir ambas as mentalidades com um trabalho focado em consumo consciente e em sustentabilidade.

A visão de uma cientista curiosa, que muitas vezes é percebida como uma chata, me ajudou a bater o pé nos meus valores inegociáveis. Hoje, somente realizo as “compras conscientes”, após ter visto uma amostra das peças dos clientes e ter feito um treinamento sobre consumo consciente. Nesta abordagem, eu explico sobre a cadeia produtiva de uma peça e seu ciclo de vida, para que isso pese na decisão daquela pessoa. Um outro ponto importante é entender o perfil do cliente e trabalhar com suas limitações. Alguns querem ter um guarda-roupas cápsula, outros querem produtos veganos e outros querem realmente diminuir o impacto das ações deles em tudo, não somente quanto à vestimenta.

Movimento #quemfezminhasroupas
Movimento #quemfezminhasroupas
Eu fico animada em ver marcas e ateliers surgindo e fazendo moda para todos os estilos! Como você descreveria seus estilos e quais são hoje as suas marcas favoritas?

É realmente incrível ver essa mudança no nosso país com tantas novas marcas com sua própria identidade! Ao selecionar uma marca para comprar recomendo pesquisar além do preço – os valores inegociáveis – são esses valores que traduzirão a ética da marca. Às vezes pode ser o caso de alugar ou comprar de um brechó, modalidades que crescem cada vez mais no Brasil.

Em questão de estilo, percebo que muitas peças representam mais os estilos criativo e dramático pois são aqueles que permitem costuras e sobreposições inovadoras aliadas a ideia de gerar menos sobras. Um outro estilo que vejo bastante é o elegante com a presença de linho em tecidos tingidos com corantes naturais.

Como um dos meus estilos é o dramático tenho aproveitado estas marcas que são transparentes quanto ao processo de produção. Algumas das minhas marcas favoritas daqui do Rio Grande do Sul são: Insecta Shoes, Brisa Slow, Ada e Mudha.

Tenis veganos insecta shoes
Foto: Insecta Shoes
No passado lembro de reclamações de clientes por marcas sustentáveis serem mais caras. Você sente que isso ainda é uma realidade?

Acredito que esses altos preços praticados estão gradativamente caindo à preços mais justos desde 2017. Nesse ano, os Estados Unidos saíram do Acordo de Paris, o qual busca diminuir os impactos ao planeta e desacelerar as mudanças climáticas, e muitas marcas se sentiram responsáveis em agir. Essa pressão social criou um boom de marcas que buscam a tag tendência “sustentável” para conversar especialmente com as novas gerações que estão mais envolvidas no ativismo ambiental.

Mas então o que é ser sustentável? Em 1987 o “World Commission on Environmental and Development” das Nações Unidas citou pela primeira vez o termo “Desenvolvimento sustentável” como: desenvolvimento de acordo com as necessidades atuais sem comprometer a habilidade de gerações futuras de suprirem suas necessidades. Hoje, muitas marcas se dizem sustentáveis, mas focam somente em uma parte do ciclo de vida da peça, e essa atitude tem estimulado novos designers a alcançarem o mais próximo do fechamento do ciclo. Fechar o ciclo de vida de uma peça significaria não ter desperdícios e equilibrar os impactos com ações responsáveis como: reaproveitamento da água, plantação de árvores, investimento em produção local etc.

O boom de matéria-prima rastreável e de produção em baixa escala estimula que os preços caiam mas não em excesso como no fast fashion. Os produtos éticos devem ter sim, na minha opinião, um preço acima dos produtos produzidos em larga escala devido à sua durabilidade e à sua qualidade. Esse slow fashion, vem para a moda impactar positivamente com transparência e com responsabilidade.

Você tem indicações para quer começar a aprender sobre consumo consciente? 

Com certeza, Aysha! Uma das fontes mais atuais sobre consumo consciente na moda são as análises de transparência realizadas pela Fashion Revolution. Desde a queda do edifício Rana Plaza de Bangladesh em 2013, o qual abrigava fábricas têxteis, nasceu o movimento Fashion Revolution, famoso pela campanha #quemfezminhasroupas para elucidar o impacto da moda. Além dela, gosto de acompanhar as ações das Nações Unidas quanto aos seus 17 objetivos para o desenvolvimento sustentável.

Falando sobre documentários, The true cost (2015) mostra o impacto da indústria da moda pela alta emissão de carbono e pelas péssimas condições de trabalho. Quanto à livros, recentemente adquiri “The conscious closet” (2019) da Elizabeth L. Cline. O livro aborda conceitos importantes para práticas sustentáveis e é voltado para a nossa profissão. Outros livros que abordam sobre o ciclo de vida de uma peça desde a escolha da matéria-prima são: “Moda sustentável” de Alison Gwilt e “Moda ética para um futuro sustentável” de Elena Salcedo.

Os 17 objetivos de desenvolvimento sustentável da ONU
Os 17 objetivos de desenvolvimento sustentável da ONU- Foto: Raissa Fernandes
Como tem sido para você o trabalho da consultoria de imagem durante a pandemia? Como tem feito para conciliar sua empresa e o voluntariado na diretoria da AICI Brasil e comitê de marketing da AICI Global?

Desde março fiz adaptações, cancelando todos os atendimentos presenciais, e procurei novas ferramentas para aprimorar a experiência do cliente nos atendimentos online. Algumas dessas ferramentas foram: moodboards, organizadores estilo KanBan e aplicativos que mostram o material da consultoria de imagem no celular. Passei a criar propostas diferentes para todos os clientes, sem abaixar os preços, de forma que eu pudesse realmente trazer soluções para as suas necessidades. 

Fico extremamente empolgada, e acho super divertido, poder criar soluções e auxiliar as pessoas. Essa primeira experiência no comitê me deu o empurrão para me candidatar à um cargo voluntário no Conselho de Diretores da AICI Brasil e fico muito feliz de ter sido eleita! Diariamente, fico no computador intercalando no máximo três atendimentos por dia com as ações da AICI. Estou amando essa época online e com certeza manterei uma forma híbrida de trabalho!

Para finalizar, queria te pedir para deixar alguns conselhos para quem está iniciando na carreira de consultoria de imagem!

Quando iniciei, tinha muito receio de focarem em minha pouca experiência, e por isso, fui atrás de conhecimento. Na época, fiz uma pesquisa de quem eram as pessoas mais bem-sucedidas na profissão, aqui e fora do país, e comecei a pesquisar sobre suas histórias. Dessa forma, tracei os cursos que seriam essenciais para o meu desenvolvimento e quais eram meus objetivos para os próximos anos. Trago como valores inegociáveis o conhecimento, a empatia e o consumo consciente e uso esses termos como guia para dizer meus “nãos”. A dica de ouro é: procure ajuda e contrate outros profissionais, especialmente, um fotógrafo!

PS: Muito obrigada pela generosidade, Raissa! Sustentabilidade é um assunto que eu amo, adorei aprender aqui com você!


Raissa Fernandes ,AICI CIC, é a única consultora de imagem da região Sul com o reconhecimento internacional CIC (Certified Image Consultant) pela AICI, e uma das onze do Brasil. Está ativamente envolvida na AICI, faz parte da diretoria da AICI Brasil e do comitê de marketing global da AICI Global. É graduada em Design de Moda e Biologia e realizou cursos de alto padrão na área da imagem.

É certificada em estilo pela Universal Style ™ de Alyce Parsons, a criadora dos 7 estilos universais, em consultoria de imagem pela Oficina de Estilo, de São Paulo e pela Fashion Institute of Technology, de Nova York. Atua presencialmente na região de Porto Alegre e online assessorando pessoas e empresas a se comunicarem de forma mais eficaz pela sua aparência e pelo seu comportamento com um consumo consciente.

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